O parceiro-sintoma e a concepção do artista: crônica do nascimento de Frida Kahlo

Guilherme Pimentel Jordão, Carla D'Alessandro

Resumo


O Outro, como representante do gozo feminino, inalcançável e não-todo, exige o recurso ao gozo fálico enquanto modo de se conceber em seu ser, ainda quando se esteja situado do lado feminino da sexuação. Frida Kahlo, sujeito cuja visada no plano da arte serve como objeto de análise deste artigo, parece demonstrá-lo por meio de suas telas. Sua fórmula consiste, em parte, em tentar atingir com o apoio do parceiro amoroso um dizer sobre o seu ser de gozo. No par Diego e Frida, a pintura aparece para dizer basta ao gozo masoquista da privação, devolvendo a artista à perspectiva do amor pelo pai, père-version que enlaça de modo sintomático em sua obra, amor, feminilidade e trauma. 


Palavras-chave


Parceiro-sintoma; Feminilidade; Père-version; Arte; Frida Kahlo

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