Incidências da diferença sexual no final de análise: do dual ao singular

Luiz Fellipe de Almeida Santos, Pedro Eduardo Silva Ambra

Resumo


O artigo visa apresentar a teorização de final de análise empreendida por Jacques Lacan ao longo de seu ensino, demonstrando sua posição ética e epistemológica fundamentada na singularidade da experiência analítica. Discutiremos, inicialmente, a maneira pela qual tanto Freud quanto muitos autores pós-lacanianos postulam uma diferença irredutível entre “homens” e “mulheres” no horizonte do tratamento. Por outro lado, a partir da apresentação de diferentes teorias de fim de análise em Lacan, bem como do resgate de sua crítica em relação à limitação da sexuação dual, o artigo defenderá que a lida de cada sujeito com seu sinthoma tem primazia em relação à bipartição das identificações e das modalidades de gozo.


Palavras-chave


final de análise; sexuação; singularidade; Jacques Lacan

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