A interpretação dos sonhos e sua relação com o significante: um achado que implica a dimensão da perda

Simone Ravizzini, Talita Baldin

Resumo


Este artigo se debruça sobre a seguinte questão: como poderíamos encontrar a palavra exata capaz de delimitar aquilo que as palavras não podem dizer? Com intuito não de dar conta, mas de alimentar reflexões sobre ela, o caminho que encontramos foi o de investigar o trabalho de Lacan e assim nos encontrarmos com Freud, à medida que aponta para um uso ímpar da interpretação, um uso que visa transcender o sentido explícito que nos é oferecido pela fala, ao contrário de compreender o que da linguagem jaz cristalizado. A partir das discussões tecidas ao longo do artigo concluímos que o discurso analítico vem para evidenciar que o sentido é pura aparência, pois ele não faz senão apontar para a direção onde fracassa e é justamente nesse fracasso do significante que o sujeito pode advir. Assim, na linguagem trata-se de um tropeço, de um desfalecimento da palavra, justamente onde Freud vai buscar o inconsciente. Esse achado implica a dimensão da perda estrutural para o sujeito, uma vez que o constitui.


Palavras-chave


Inconsciente; linguagem; falha do significante.

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