O (f)ato clínico como ferramenta metodológica para a pesquisa clínica em psicanálise

Rodrigo Traple Wieczorek, Carlos Henrique Kessler, Christian Ingo Lenz Dunker

Resumo


Este artigo tem origem no amplo campo da relação da psicanálise com a universidade. A partir do reconhecimento que essa relação é marcada por impasses, mas também por potencialidades, restringimos o foco da nossa pesquisa para as possibilidades de pesquisa clínica em psicanálise. Após trabalhar com textos de Freud e Lacan, fizemos um levantamento de algumas metodologias utilizadas para o registro clínico em psicanálise. Assim chegamos ao nosso enfoque na investigação, o fato clínico. Decidimos delimitá-la por sua potencialidade teórica e de formação na psicanálise. Chama a atenção a relativa escassez de publicações a esse respeito. Finalmente destacamos o modo de fazer operar a clínica com a teoria. Sublinhamos os conceitos de ato psicanalítico, ato teórico e ficção, como operadores a partir do real que é a clínica, como suportes privilegiados para forjar os conceitos. A partir da clínica, podemos escrever fazendo contorno no real, construir um caso e propor um fato clínico. Consideramos que são essas ferramentas teóricas que permitem que operemos no campo abstrato, trabalhando hipóteses para tocar o que é de certa forma inacessível na clínica e assim e podermos colher os efeitos da psicanálise, viabilizando por esta via a pesquisa no campo.

Palavras-chave


Psicanálise; Clínica; Metodologia; Pesquisa clínica

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