A criança e sua família: o caso do menino e o seu avatar, o Sombra

Ethyene Andrade Costa, Jacqueline de Oliveira Moreira

Resumo


As tramas familiares se constituem como elementos decisivos na construção dos sintomas do sujeito. A partir da concepção de que crianças trazidas à clínica são depositárias e porta-vozes das angústias familiares, faz-se mister pensar o sujeito considerando o contexto no qual está inserido e as relações que estabelece. Mantendo o rigor preconizado por Freud quanto à investigação do novo que se apresenta no discurso do sujeito, o presente trabalho teve por objetivo construir um estudo de caso que permitisse repensar as possibilidades de atuação do analista no atendimento a crianças que de maneira inconsciente atualizam a história de sofrimento de suas famílias. O conteúdo recalcado, “não dito”, retorna dando forma aos sintomas das novas gerações. Na medida em que as repetições sintomáticas têm demonstrado ligação com os “mal-ditos” da história do sujeito, o atendimento em sessões conjuntas tem revelado sua importância para a condução do caso. A clínica de família mostra sua relevância: por meio da simbolização de heranças familiares traumáticas, torna-se possível organizar o que é próprio do sujeito e diferenciar o “pertencer” à família das identificações que o levaram a emaranhar-se e “ser” aquela família.

Palavras-chave


psicanálise com crianças; família; construção de caso clínico.

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