O TEMPO E O OBJETO NA PSICANÁLISE

Inês Seabra Abreu Rocha

Resumo


Neste artigo, discutimos a noção de tempo a partir da construção do objeto em psicanálise. Percorremos os textos da literatura freudiana, onde encontramos uma tentativa de temporalização da experiência psicanalítica, trazendo a noção do à posteriori na qual Freud inscreve a experiência com o tempo na psicanálise. Na leitura de Lacan, o tempo será modalizado em três momentos lógicos e destaca-se o tempo inaugural de entrada na linguagem, condição primeira para a psicanálise. A investigação sobre o objeto será o vetor de orientação de nosso percurso sobre o tempo em uma psicanálise. Na elaboração freudiana, o inconsciente é atemporal e a satisfação buscada pela pulsão não cessará mesmo com as dificuldades encontradas na realidade. O objeto será a via da satisfação do sujeito e o ponto de ancoragem do seu desejo. Estará em jogo a constituição do sujeito a partir do narcisismo, onde um primeiro tempo se inscreve no investimento da libido no próprio corpo, tomado como objeto, na própria imagem, uma alienação fundante que antecede a entrada do sujeito na linguagem. Freud nos fala do encontro do sujeito com o objeto; Lacan, por outro lado, nos mostra um percurso onde o objeto terá de ser, antes, construído. Nomeia o objeto a, uma construção lógica que diz do furo, do encontro com a falta do objeto. O objeto a é definido como um objeto não nomeável, um objeto presente-ausente, um objeto causa do desejo. Uma relação do sujeito com a falta do objeto se delineia e se inscreve durante o percurso de uma psicanálise.


Palavras-chave


Inconsciente, objeto, psicanálise, sujeito, tempo

Referências


Segundo Attié (2007):

A teoria do desenvolvimento da libido surgiu e se impôs, a partir de 1915, quando Freud definiu o objeto da pulsão como aquele em que, ou pelo qual, a pulsão pode alcançar sua meta. O objeto da pulsão acéfala poderá ser qualquer um, ele é indiferente, mas é pela via do objeto é que o sujeito busca assegurar a sua satisfação (p. 100).

Segundo Miller (2005),

Lacan especializou progressivamente o termo gozo para qualificar a satisfação dita inconsciente, a satisfação da qual não se sabe. De tal forma que aqui, neste nível, nada de falta, mas sem dúvida podemos extrair de Freud a noção de que o funcionamento do que ele chama de aparelho psíquico conduz, invariavelmente à insatisfação. Porém, ao mesmo tempo, encontramos nele a demonstração de isso goza sempre (p. 13).

Segundo Nicéas (1984),

A teoria freudiana de uma experiência originária de satisfação perpetua o retorno de um prazer mítico como esperança ancorada em toda busca de um objeto presente transitoriamente no momento de cada satisfação, o objeto renovaria a ilusão de uma saturação definitiva do desejo, para sempre tributário de uma falta. (p.56)


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