A escuta-flânerie como efeito ético-metodológico do encontro entre Psicanálise e socioeducação

Rose Gurski

Resumo


Este artigo relata a trajetória de construção da escuta-flânerie, um dispositivo de pesquisa-intervenção de caráter metodológico, cujas origens remontam à metodologia iniciada por Gurski (2008) em sua tese de doutorado, na qual foi construído o dispositivo do ensaio-flânerie. No encontro da Psicanálise com a socioeducação, tornou-se possível seguir os estudos que já vínhamos fazendo a partir da articulação da escuta psicanalítica com o tema da experiência e do flâneur em Benjamin e Baudelaire (Gurski, 2008, 2014; Gurski, & Strzykalski, 2018a, 2018c; Gurski, 2019). Escolher Benjamin e Baudelaire, em articulação com a escuta psicanalítica, a fim de traçar o caminho deste diálogo com o mal-estar na socioeducação implica compreender a contemplação do flâneur e da flânerie como um dispositivo que empresta uma posição possível ao pesquisador-psicanalista na Instituição. Ao nos colocarmos na posição de flâneur e oferecermos a possibilidade de uma fala livre e mais implicada com o tempo de cada um, dentro da instituição, evocamos o surgimento de uma narrativa mais próxima das questões do sujeito. Sustentar essa condição temporal comum ao psicanalista e ao flâneur tem se colocado como um desafio crescente na pesquisa. É desse modo que a flânerie, em associação à escuta, colabora com a teorização acerca da metodologia usada, enriquecendo nossos meios de falar da experiência e da construção desse espaço de intervenção e de pesquisa desde a Psicanálise na socioeducação.

Palavras-chave


psicanálise; socioeducação; escuta-flânerie; socioeducadores.

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