De Medeia à alienação parental: traduções trágicas para o excesso pulsional

Aline Spaciari Matioli, Viviana Carola Velasco Martínez

Resumo


A tragédia grega Medeia, de Eurípides, é tomada como uma metáfora para discutir as vicissitudes de uma separação amorosa. Inspiradas na teoria tradutiva de Jean Laplanche, privilegiamos o desamparo da heroína diante da pulsão desligada pela ruptura do vínculo com Jasão, o que a leva a adotar saídas pouco organizadas na tentativa de dar conta do excesso pulsional, sobretudo por não encontrar no meio assistentes de tradução. Contemporaneamente, além dos casos extremos de filicídio, é na alienação parental que o cônjuge, que se sente abandonado, parece encontrar recursos de ligação, mas de forma igualmente precária, o que deixa restos não traduzidos e, portanto, pouco elaborados.


Palavras-chave


psicanálise; separação amorosa; tragédia grega; teoria da sedução generalizada; alienação parental

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