Um lugar ético para o adulto na relação com crianças e adolescentes: Bernfeld e o para além da patologização

Autores

  • Cristiana Carneiro Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle Rede INFEIES Rede RUEPSY
  • Mariana Scrinzi Universidad Autónoma de Entre Ríos – Argentina Rede INFEIES Rede RUEPSY
  • Perla Zelmanovich Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales – FLACSO – Argentina Red INFEIES (Red Internacional Inter-universitaria de Estudios en Infancia e Instituciones). Rede INFEIES Rede RUEPSY

Palavras-chave:

educação, psicanálise, patologização, crianças, adolescentes.

Resumo

Siegfried Bernfeld foi um psicanalista, discípulo de Freud, e um pioneiro na articulação entre educação e psicanálise. Além disso, fundou a Colônia Infantil de Baumgarten, uma experiência educacional de ponta na qual deu as boas-vindas aos órfãos de guerra. Neste artigo resgatamos seu trabalho no sentido de refletir sobre o mal-estar do psicanalista e educador diante da criança ou adolescente que não corresponde ao que se espera. Advertindo-nos que o mal-estar do adulto diante da criança e adolescente fora do esperado pode instaurar defesas autoritárias e patologizantes, Bernfeld advoga um outro lugar, ético e expectante, na relação adulto-criança. Resgatar as concepções desse pioneiro objetiva incrementar a reflexão sobre o crescente movimento de patologização no cenário contemporâneo. Na atualidade, à medida que o diagnóstico passa a ser prioritariamente concebido pelo neurobiológico e pelo comportamental, a escola também passa a ocupar a função de identificar a soma dos comportamentos desviantes, encaminhando rapidamente a criança ou adolescente para serviços de saúde mental. Em outro sentido, menos imediato, tolerar algo sobre não saber em relação à criança exigiria que o adulto assumisse parcialmente sua própria estranheza constitutiva. O “não querer saber”, marca de todo adulto, poderia, assim, abrir algumas lacunas no querer saber sobre o mal-estar e a inquietação que a criança e o adolescente não modelares nos causam. Tanto o psicanalista quanto o educador não têm certeza, nem podem prever os resultados de suas intervenções. Bernfeld nos ensina que somente quando o educador reconhece e aceita seus próprios limites será possível criar uma nova pedagogia, uma pedagogia dos limites contra a onipotência dos pedagogos.

Biografia do Autor

Cristiana Carneiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle Rede INFEIES Rede RUEPSY

Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – Brasil. Coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Intercâmbio para a Infância e Adolescência contemporâneas – NIPIAC; Coordenadora do GT da ANPEPP – Psicanálise e Educação. Membro Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle. Membro Rede INFEIES e RUEPSY.

Mariana Scrinzi, Universidad Autónoma de Entre Ríos – Argentina Rede INFEIES Rede RUEPSY

Universidad Autónoma de Entre Ríos – Argentina. Práctica profesional supervisada en Infancia y Familia. Facultad de Humanidades, Artes y Ciencias Sociales. Membro Rede INFEIES e RUEPSY.

Perla Zelmanovich, Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales – FLACSO – Argentina Red INFEIES (Red Internacional Inter-universitaria de Estudios en Infancia e Instituciones). Rede INFEIES Rede RUEPSY

Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales – FLACSO – Sede Argentina. Programa de Psicoanálisis y Prácticas Socio-Educativas. Área Educación. Integrante de Red INFEIES (Red Internacional Inter-universitaria de Estudios en Infancia e Instituciones). Trabaja en la Formación y supervisión de Equipos de Orientación Escolar. Codirectora de la revista INFEIES RM (Revista multimedial). Membro Rede INFEIES e RUEPSY.

Referências

Bernfeld, S. (1973). El psicoanálisis y la educación antiautoritaria. Barcelona: Barral.

Bernfeld, S. (1975). Sísifo o los límites de la educación. Buenos Aires: Siglo veintiuno editores. (Original publicado em 1925)

Bernfeld, S. (2005). La ética del chocolate. Aplicaciones del psicoanálisis en educación social. España: Gedisa.

Brignoni, S. (2012). Pensar las adolescencias. Barcelona: UOC.

Carneiro, C., & Coutinho, L. G. (2015). Infância e adolescência: como chegam as queixas escolares à saúde mental? Educação em Revista, 56, 181-192. doi: 10.1590/0104-4060.37764.

Carneiro, C. (2018). O estudo de casos múltiplos: estratégia de pesquisa em psicanálise e educação. In Psicologia-Universidade de SP-USP, 29, 314-321.

Christofari, A. C., Freitas, C.R. , & Baptista, C.R. (2015). Medicalização dos modos de ser e de aprender. Educação & Realidade, 40(4), 1079-1102.

Collares, C. A. L., & Moysés, M. A. (2015). Preconceitos no cotidiano escolar: a medicalização do processo ensino-aprendizagem. In CRP-SP; GIQE (Orgs.), Medicalização de crianças e adolescentes: conflitos silenciados pela redução de questões sociais a doenças de indivíduos (p. 221-244). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Dunker, C. A. (2014). Neurose como encruzilhada narrativa: psicopatologia psicanalítica e diagnóstica psiquiátrica. In Zorzanelli, R., Bezerra Jr, B., & Freire Costa, J. (Orgs.), A produção de diagnósticos em psiquiatria contemporânea (1a ed.), 1, 69-106. Rio de Janeiro: Garamond.

Filloux, J. C. (2001). Campo pedagógico y psicoanálisis. Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión.

Freud, S. (1980). O mal-estar na civilização. In Freud, S. [Autor], Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. XXI. Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1930)

Freud, S. (1980). Análise terminável e interminável. In Freud, S. [Autor], Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 23. Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1937).

Freud, S. (1992). Presentación autobiográfica. In Freud, S. [Autor], Obras completas, v. XX. Buenos Aires: Amorrortu. (Original publicado em 1925)

García Molina, J. (2003). Dar (la) palabra. Deseo, don y ética en educación social. Barcelona: Gedisa.

Lajonquière, L. (2010). Figuras do infantil: a psicanálise na vida cotidiana com as crianças. Petrópolis, RJ: Vozes.

Moyano Mangas, S. (2007). Retos de la educación social. Aportaciones de la Pedagogía Social a la educación de las infancias y las adolescencias acogidas en Centros Residenciales de Acción Educativa. Tesis de doctorado. Facultad de Pedagogía, Universidad de Barcelona, Barcelona. Recuperado em 13 out. 2019 de <http://hdl.handle.net/2445/43070>.

Núñez, V. (2005). Prólogo. In Bernfeld, S. [Autor], La ética del chocolate. Aplicaciones del psicoanálisis en Educación Social. Barcelona: Gedisa.

Paret, P. (1975). Introducción. En Bernfeld, S. [Autor], Sísifo o los límites de la educación. Buenos Aires: Siglo veintiuno editores.

Roudinesco, E., & Plon, M. (1998). Diccionario de psicoanálisis. Buenos Aires: Paidós.

Scrinzi, M. (2019). Las paradojas de los diagnósticos y tratamientos de las problemáticas del ámbito escolar en la Argentina actual: un análisis desde la perspectiva ética y de la educación antiautoritaria de Siegfried Bernfeld. Tesis de calificación. Universidad Federal de Mina Gerais. Belo Horizonte.

Zelmanovich, P. A. (2014). Equação família-escola: entre o reenvio das impotências e a dialética alienação e separação. In Voltolini, R. (Org.), Retratos do mal-estar contemporâneo na educação (p. 181-195). São Paulo: Escuta/Fapes.

Downloads

Publicado

2020-12-23

Edição

Seção

Dossiê - Psicanálise e Educação em tempos de incerteza