Considerações sobre tempo e constituição do sujeito em Freud e Lacan

Autores

  • Ana Rosa Sousa Amor Universidade de Brasília
  • Daniela Scheinkman Chatelard Universidade de Brasilia

Palavras-chave:

tempo lógico, a posteriori, constituição, sujeito

Resumo

O presente estudo foi produzido com o intuito de explorar a dimensão do tempo na constituição do sujeito, de acordo com o pensamento de Jacques Lacan, em referência a um breve retorno a Sigmund Freud. Para explorar a concepção de tempo na psicanálise, foram utilizados artigos de Freud sobre a formação do aparelho psíquico e de Lacan sobre a constituição do sujeito do inconsciente. Procurar-se-á observar qual seria a compreensão de temporalidade própria da psicanálise: no que se refere ao a posteriori, cuja relevância para a vida psíquica Freud tanto sublinhou; assim como no que se refere ao tempo lógico, uma concepção lacaniana de tempo. O tempo, descontínuo, marcado por pausas e alternâncias, constitui o sujeito; modula o ato e possibilita desejar.

Biografia do Autor

Ana Rosa Sousa Amor, Universidade de Brasília

Grduação em Psicologia na Universidade de Brasília.

Mestrado em Psicologia Clínica e Cultura no Departamento de Psicologia Clínica na Universidade de Brasília.

Daniela Scheinkman Chatelard, Universidade de Brasilia

Professora no Instituto de Psicologia e no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de Brasília.

Referências

"Os histéricos sofrem principalmente de reminiscências" (Freud, 1895, p. 43).

"não importa o que o Eu empreenda em seus esforços por defesa, se é recusar uma parte do mundo exterior real ou rechaçar uma exigência pulsional vinda do mundo interior, o resultado nunca é completo, sem resto [...]" (Freud, 1940 [1938], p. 171).

"Tropeço, desfalecimento, rachadura. Numa frase pronunciada, escrita, alguma coisa se estatela. Freud fica siderado por esses fenômenos, e é neles que vai procurar o inconsciente. Ali, alguma outra coisa quer se realizar – algo que aparece como intencional, certamente, mas de uma estranha temporalidade. O que se produz nessa hiância, no sentido pleno do termo 'produzir-se', se apresenta como um achado." (Lacan, 1964, p. 32)

"O que se realiza em minha história não é o passado simples daquilo que foi, uma vez que ele já não é, nem tampouco o perfeito composto do que tem sido naquilo que sou, mas o futuro anterior do que terei sido para aquilo em que me estou transformando." (Lacan, 1953/1966, p. 301)

"Sou branco, e eis como sei disso. Dado que meus companheiros eram brancos, achei que, se eu fosse preto, cada um deles poderia ter inferido o seguinte: 'Se eu também fosse preto, o outro, devendo reconhecer imediatamente que era branco, teria saído na mesma hora, logo, não sou preto'. E os dois teriam saído juntos, convencidos de ser brancos. Se não estavam fazendo nada, é que eu era branco como eles. Ao que saí porta afora, para dar a conhecer minha conclusão." (Lacan, 1945/1966, p. 198)

"Seguir a estrutura é certificar-se do efeito da linguagem" (Lacan, 1970, p. 405).

"é preciso tempo para fazer traço daquilo que falhou em se revelar de saída" (Lacan, 1970, p.427).

Downloads

Publicado

2016-06-19

Como Citar

Amor, A. R. S., & Chatelard, D. S. (2016). Considerações sobre tempo e constituição do sujeito em Freud e Lacan. Revista Tempo Psicanalítico, 48(1), 65–85. Recuperado de https://www.tempopsicanalitico.com.br/tempopsicanalitico/article/view/88

Edição

Seção

Artigos

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)