A neurose brasileira: as implicações do racismo nas subjetividades negras
DOI:
https://doi.org/10.71101/rtp.58.951Resumo
O presente artigo tem um duplo objetivo: (1) caracterizar a neurose racial brasileira a partir do diálogo com pensadoras negras brasileiras (Neusa Santos Souza, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Isildinha Baptista Nogueira); (2) compreender como essa neurose incide sobre as subjetividades negras, afetando a sua constituição psíquica. A hipótese central do artigo é que a marca dessa neurose nas pessoas negras está presente na centralidade de um afeto que governa toda rede afetiva das pessoas negras, a saber, autodepreciação. Assim, o artigo reconhece que Freud deslocou a neurose do campo fisiológico para o psíquico e social, mas aponta para a importância do caráter racial da neurose. Desse modo, recorre-se ao conceito de Fanon de sociogênese para a compreensão do que será chamado de neurose racial. A neurose racial, portanto, não decorre apenas de interdições sexuais (como no modelo edípico), mas ela deriva da produção de sentimentos autodepreciativos que conduzem as pessoas negras à negação de sua própria corporeidade.
Palavras-chave: racismo, psicanálise, sociogênese, pensadoras negras, neurose
