A neurose brasileira: as implicações do racismo nas subjetividades negras

Autores

  • Érico Andrade Universidade Federal de Pernambuco Sócio do Círculo Psicanalítico de Pernambuco

DOI:

https://doi.org/10.71101/rtp.58.951

Resumo

O presente artigo tem um duplo objetivo: (1) caracterizar a neurose racial brasileira a partir do diálogo com pensadoras negras brasileiras (Neusa Santos Souza, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Isildinha Baptista Nogueira); (2) compreender como essa neurose incide sobre as subjetividades negras, afetando a sua constituição psíquica. A hipótese central do artigo é que a marca dessa neurose nas pessoas negras está presente na centralidade de um afeto que governa toda rede afetiva das pessoas negras, a saber, autodepreciação. Assim, o artigo reconhece que Freud deslocou a neurose do campo fisiológico para o psíquico e social, mas aponta para a importância do caráter racial da neurose. Desse modo, recorre-se ao conceito de Fanon de sociogênese para a compreensão do que será chamado de neurose racial. A neurose racial, portanto, não decorre apenas de interdições sexuais (como no modelo edípico), mas ela deriva da produção de sentimentos autodepreciativos que conduzem as pessoas negras à negação de sua própria corporeidade. 
Palavras-chave: racismo, psicanálise, sociogênese, pensadoras negras, neurose

Biografia do Autor

Érico Andrade, Universidade Federal de Pernambuco Sócio do Círculo Psicanalítico de Pernambuco

Doutor em filosofia pela Sorbonne (Paris IV), crítico de cinema, em formação em psicanálise, área de interesses, ética,política e piscanálise

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Publicado

17-07-2026

Como Citar

Andrade, Érico. (2026). A neurose brasileira: as implicações do racismo nas subjetividades negras. Revista Tempo Psicanalítico, 58, e-951. https://doi.org/10.71101/rtp.58.951

Edição

Seção

Artigos